Cód:

171
17/06/2004
Psicografado por: Cleber P. Campos
Ref:

Quantos assassinei? Quantas vidas interrompi?
Pelas minhas mãos, nenhuma. Sob minhas ordens, talvez alguns milhões.
Falta-me ar. Mal posso respirar desde que aqui cheguei.
Sim, sim, sou um monstro. Ouço isto minuto após minuto, dia após dia. Sou culpado, sinto-me culpado.
Em vida acreditei piamente estar fazendo um favor à humanidade, melhorando a raça humana no planeta, livrando-a de seres inferiores.
Deixei-me levar por idéias, que hoje reconheço insanas. Idéias de um lunático a quem não posso culpar porque afinal eu as aceitei e as segui.
No início, promoções, uma bela carreira, uma vida de luxo e glória. Com a queda do Reich, a fuga, os anos de exílio longe da pátria, em meio de gente tão inferior e desprezível que eu mal podia aceitá-los como seres humanos.
Localizado e capturado por aqueles que eu tanto odiava, fui julgado e condenado à forca.
Desencarnei com a corda apertando meu pescoço, sob os olhares de centenas de judeus, pensando que iria para a Glória. Ao abrir os olhos do espírito, vi que as centenas de encarnados estavam acompanhados de milhares de desencarnados, de horrendo aspecto.
Com o mesmo ódio em que os tratei em vida fui tratado. 
Arrastado aos umbrais sofri todo tipo de tortura e humilhação. Desde meu enforcamento em 1962, fui prisioneiro do ódio e do rancor daqueles que mandei executar, destruindo seus lares, suas famílias e suas vidas.
Nunca tive Deus no coração. Isto nunca fez parte da minha cultura.
Mesmo assim, o sofrimento atroz me fez, mesmo que num lampejo, renegar meu passado e pensar Nele.
Resgataram-me. Tiraram-me da catacumba fria e sombria onde sobrevivia aos maus tratos de meus algozes. Fui levado a um posto de socorro, onde tratam-me com dignidade e bondade. Tempos depois vim a compreender que o posto de socorro localiza-se sobre o espaço de Israel, e que praticamente todos que ali humildemente servem foram judeus quando encarnados. É desconcertante ser tão bem tratado pelo povo a quem tanto ódio nutri durante minha última existência.
Fazem apenas alguns meses que fui socorrido, e começo a entender a extensão de meus erros.
Fui informado que talvez não me seja permitido reencarnar na Terra e que terei que buscar o aprendizado redentor num mundo mais denso e atrasado. Tudo, porém, dependerá de meus progressos.
Tenho ainda uma aparência horrível, mãos deformadas, olhos esbugalhados resultantes do enforcamento, dores no pescoço, falta de ar. Pesadelos ainda me perseguem.
Peço diariamente perdão a Deus e aos que feri.
Infelizmente e por meu merecimento, muitos ainda não me perdoaram. Mas eles haverão de fazê-lo, assim como Deus já o fez.
Esperarei este dia com humildade e paciência.

Adolf Eichmann

Adolf Eichmann nasceu em Solingen, Alemanha, em 19/03/1906. Foi recrutado em 1934 pelo partido nazista, tornando-se a autoridade para assuntos relativos aos judeus. Em 1939 Eichmann foi indicado por Hitler como Oficial Chefe da Emigração dos Judeus.
Em outubro de 1942 foi o organizador da tenebrosa Conferência de Wansee, trabalhando em conjunto com os oficiais Heinrich Muller e Roland Friesler, todos sob o comando do General da SS Reinhard Heydrich, designado por Hitler para o caso dos judeus. Nesta reunião foram definidas ações sistemáticas para a eliminação dos judeus, onde Eichmann foi encarregado do que ficou conhecido como a "Solução Final", vindo a assumir totalmente a causa após a prematura morte de Heydrich..
A partir desta data foram estabelecidos campos de extermínio de alta capacidade, como Belzec (15.000/dia), Sobibor (20.000/dia), Treblinka e Majdanek (25.000/dia cada um), tendo Eichmann transferido-se para Auschwitz, para acompanhar de perto sua "solução final". Em 1944 Eichmann informou a Heinrich Himmler (braço direito de Hitler) que 6 milhões de judeus haviam sido eliminados, 4 milhões deles mortos por "causas naturais" nos campos de concentração e outros 2 milhões mortos nas câmaras de gás, chegando a dizer a um de seus oficiais que "morreria com alegria na certeza de ter eliminado mais de 6 milhões de judeus".
Com a derrota da Alemanha, Eichmann refugiou-se na Argentina a partir de fevereiro de 1945, usando o nome falso de Ricardo Klement e trabalhando para uma companhia de abastecimento de água.
Localizado e sequestrado por agentes do Mossad em 1960, foi transferido para Israel onde foi julgado por suas ações na Segunda Guerra Mundial.
Declarado culpado, foi enforcado em 31 de maio de 1962  por crimes contra os cidadãos judeus, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Saiba mais em http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/GEReichmann.htm

Vozes do Caminho - Todos os Direitos Reservados