Perdido
Ufa! Finalmente estava em casa! Parei
em frente e olhei. Será que aconteceu alguma coisa? Estava mudada, cor
diferente, plantas estranhas no jardim. De qualquer forma, o portão estava
aberto como sempre e entrei.
Caminhei sem fazer ruído, para surpreender Almerinda. Da cozinha, vinha um
cheirinho bom do cozido que só ela sabia fazer.
Meu coração se encheu de alegria, pois terminaria ali meu sofrimento. Depois
de ficar perdido sei lá quanto tempo, de caminhar, pegar carona, perguntar aqui
e acolá, eis que encontro o caminho de casa.
Almerinda estava na cozinha. Caminhei até lá e perdi a fala ao revê-la.
Meu Deus! Seus cabelos estavam brancos, o rosto enrugado, envelhecido. parecia
mais velha... Estaria doente?
Chamei-a e ela não escutou, tentei tocá-la e ela não sentiu. Que diacho
estava acontecendo?
De repente um ruído na porta e alguém entrou. Um rapagão forte aproximou-se e
beijou Almerinda na face. Senti o estômago embrulhar. Aquele era o Paulo
Roberto, meu "filhinho" de dez anos.
Descontrolado, gritei "Meu Deus! Onde estive este tempo todo? O que está
acontecendo?"
- Você esteve perdido, meu filho, mas agora acaba de ser encontrado...
Aquela voz era inesquecível. Virei-me e lá estava minha mãezinha,
desencarnada a mais de trinta anos.
Segui, então, com ela e finalmente compreendi que minha dureza de coração
cegou-me por anos a fio pelos umbrais.
Soube então que Almerinda tinha criado sozinha nossos filhos e que Paulo
Roberto já estava casado e tinha uma filhinha de nome Maria Inês.
Obrigado a todos quanto oraram por mim e aos desta casa que me ampararam e me
mostraram o caminho.
Jacinto.