Arrependimento, dor e pavor.
Uma mistura de tudo isto era o que eu sentia, enquanto e dava conta que talvez
eu não saísse desta viva.
Num impulso de cólera, desequilíbrio e incompreensão, por um motivo fútil de adolescente, ingeri alta dose de veneno de rato. Tudo para impressionar e causar dó em meu namorado, que me trocara por outra.
O estômago doía, cólicas infernais cresciam dentro de mim. Olhos e nariz pingando sem parar, como torneiras abertas me impediam de manter os olhos abertos. E um líquido gosmento e mal cheiroso fluía de minha boca, já que não havia mais o que vomitar, enquanto em me debatia sobre minhas próprias fezes.
Espasmos de dor me faziam estremecer, até que meu corpo ficou inerte. Mas só por um momento. As dores e os fortes sintomas logo voltaram. E eu continuei a vomitar o que não tinha no estômago, a me banhar em minhas próprias fezes, os olhos a arder e a dor... Ah! a dor...
Vaguei, corri, caí, me contorci em meu aos meus dejetos, que estranhamente não paravam de sair.
Quanto tempo? Sei lá. Não faço idéia.
Permaneço hoje internada em
estranho hospital onde tento me reabilitar. As dores estão mais suportáveis, mas
ainda nada pára em meu estômago.
Dizem que preciso curar minha mente e meu espírito, que preciso aprender a
dominar meus sentimentos para curar a ferida que eu mesma abrí em meu
perispírito.
Não posso entender por que não
existem remédios de verdade por aqui e por que só me dão passes. Não posso
entender como posso curar-me.
Afinal onde estou? Viva? Morta? Só sei que não sei onde fica minha casa e não
conheço ninguém por aqui.
Venho hoje aqui amparada e
carregada por dois enfermeiros, que me pediram para desabafar e dizer o me me
vinha à mente. Disseram que isto acalmaria minha dor.
De fato melhorou. Pelo menos por enquanto.
Agradeço.
Ana.