Inexplicáveis, parecem, as grandes tragédias
que transferem de uma só vez muitos irmãos ao mundo espiritual.
Nestas ocasiões vão-se jovens, velhos e crianças, sem um critério aparente, que
deixa no ar uma sensação de vazio e de incoerência.
Creiam, meus amigos, que não existe a chamada fatalidade. Tudo tem uma razão de
ser, tudo obedece a um preceito estabelecido, tudo acontece segundo a vontade de
Deus.
Saibam que todos que se encontravam juntos no
exato local e no exato momento do desfecho estavam atendendo a um plano já
determinado. Uns à revelia, necessitando vivenciar uma transferência compulsória
com fins de elevação espiritual. Outros em cumprimento a acordos firmados no
plano espiritual antes de embarcarem na atual encarnação, visando também o
vencimento de etapas evolutivas em seu próprio benefício.
E, no derradeiro segundo, lá estávamos nós, trabalhadores de última hora, em
busca das almas que deixavam para trás suas vestes físicas e adentravam no plano
espiritual.
Até onde nos foi permitido, aliviamos o choque do súbito desencarne, acolhemos
os mais fracos e conduzimos estes e todos os demais às nossas cidades. Um grande
e bendito cordão de espíritos amigos formou-se rapidamente e trabalhou sem parar
até que a última vítima estivesse recolhida em segurança. Eram pais, avós,
esposas, maridos e amigos que compareceram para buscar seus entes queridos.
Quem entre vós é dotado da verdadeira visão pôde, naquela noite, contemplar sobre as chamas da aeronave despedaçada, centenas de luzes coloridas esvoaçando aqui e acolá, apressados que estávamos em resgatar a todos que ali se encontravam.
Aos que ficaram no Planeta, digo-lhes que orem
e vigiem seus pensamentos.
Apesar da dor e dos aspectos chocantes que envolvem tragédias coletivas, não
deixem jamais de considerar que todos os que partiram superaram, de uma forma ou
de outra, mais um degrau em suas jornadas como espíritos em desenvolvimento. Não
alimentem a falsa ilusão de que o final teria sido diferente se isto ou aquilo
tivesse sucedido de outra forma ou ainda se algo pudesse ter sido previsto ou
prevenido. Aliviem de seus ombros o sentimento de culpa, pois nenhuma ação
poderia ter desviado a trajetória dos fatos.
Guardem em seus corações que Deus faz o que é melhor para cada um de nós.
Boa noite.
Manoel Dantas.
O autor refere-se ao acidente ocorrido em
17/07/2007 com o Airbus da TAM (vôo JJ 3054), que não conseguiu parar ao
pousar no aeroporto de Congonhas e chocou-se com um prédio da própria
companhia aérea, incendiando-se. Foram 199 vítimas entre passageiros,
tripulação e o pessoal que trabalhava no prédio da TAM.
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