Cód:

287
12/02/2007
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos

Por muitos anos vaguei.
Fui a lugares iluminados, levado que fui por benfeitores, mas nada vi a não ser minha própria amargura.
Fui a catacumbas escuras, descendo o mais baixo que alguém pode descer, arrastado que fui por arruaceiros e infelizes, que se diziam sábios.

A idéia de ter morrido em vão não me abandonava. Um roubo de alguns trocados, um tiro no peito e meu corpo destruído... bestamente, deixando abandonados minha jovem esposa e meu filho pequeno.
Deste dia em diante passei a buscar uma resposta á minha tragédia pessoal.

"Por que?" perguntava a todos os que pareciam poder esclarecer-me de alguma forma.

Sem o saber, porém, minha auto-piedade apenas me afastava da resposta, causando-me grandes aflições e sofrimento.
Mesmo não tendo conseguido o que desejava, muito aprendi em minhas andanças. Em conta-gotas e em doses homeopáticas meu coração foi se abrandando e finalmente voltei às esferas de Luz, pelas minhas próprias pernas.

Lá chegando, fui recebido com alegria por todos os benfeitores amigos, que queriam saber se eu finalmente já obtivera a tão desejada resposta.

Responde que "sim". Não na forma de uma explicação que tanto "cobrei" de Deus, mas em forma de lições que me fizeram refletir profundamente e ver que Deus se manifesta em tudo e em todos, inclusive no infeliz que puxou o gatilho naquele fatídico mas longínquo dia.

Demorei para compreender que a lei divina atinge a todos e que eu não estava na condição de vítima inocente e sim de alguém chamado a ajustar as contas com a própria consciência e que Deus nada mais fizera do que proporcionar a Bendita oportunidade.

Demorei tanto que minha esposa e filho cumprem hoje novo ciclo encarnatório na Terra, e luto hoje por merecer retornar entre eles.

Que Deus abençoe a todos e me conceda nova oportunidade.

Ricardo.


 

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