Olá.
Gostaria de nesta oportunidade deixar uma mensagem a todos aqueles que,
saudosos, anseiam por comunicar-se com as pessoas amadas que partiram para o
Plano Espiritual.
É situação comum as pessoas buscarem provas que seus amados continuam vivos e
que estão bem, principalmente quando os que desencarnam deixam o planeta no
esplendor de sua juventude. E, independente da idade, o recém-desencarnado
quase sempre necessita de tempo para adaptar-se, não aceitando de pronto a nova
situação na maioria dos casos, querendo retornar ao antigo lar a todo momento.
Vou, então, narrar o que se passou comigo.
Tinha a idade de vinte e cinco anos, recém-formado em direito. Com emprego
arranjado, já ganhava para sustentar-me e sustentar uma pequena família. Minha
noiva era linda, nos casaríamos em breve. Amávamo-nos muito.
Numa noite de chuva forte, perdi o controle do meu automóvel e bati fortemente
de encontro a uma árvore, vindo a desencarnar imediatamente.
Trazido a uma colônia próxima à minha cidade, fiquei desesperado e não
aceitei, sem relutar, minha nova situação. Foi muito dolorido deixar para
trás minha vida, minha jovem noiva e meus bens.
("Hoje sei e reconheço que a verdadeira vida é deste lado, no plano astral, mas naquela época comportei-me como a maioria: apeguei-me a vida física e queria a todo custo retornar ao lar, para pelo menos rever meus queridos.")
Minha mãe e minha noiva choraram muito a minha
morte. A todo instante eu as ouvia e assimilava seu inconformismo, o que
causava-me ansiedade e aumentava ainda mais a minha angústia, retardando o meu
processo de adaptação.
Elas, crentes em Deus e típicas seguidoras de práticas cristãs por
imposição social, obcecaram-se pela idéia de receber notícias minhas.
Convenceram-se de que "precisavam" saber se eu estava bem e não
mediram esforços em busca de seu objetivo. Foram a diversos lugares, lidaram
com entidades das mais variadas crenças e linhagens, que por vezes utilizaram
métodos perigosos e certamente não recomendáveis para "convocar"
meu espírito.
Acabaram por ultrapassar os limites do bom senso, gastaram muito tempo e
dinheiro, comprometendo-se de forma irreversível fora do terreno da verdadeira
fé cristã.
Do lado de cá eu acabava registrando tudo,
vendo tudo, sem nada poder fazer, uma vez que fui desautorizado a transmitir a
mensagem que elas "exigiam".
Cansado, acabei convencido por meus bondosos e pacientes mentores e afastei-me.
Aprendi a desligar-me das tristes emanações mentais de minha mãe e de minha
noiva, que vampirizavam-me e impediam meu crescimento.
Enquanto isto, lá na Terra, elas custaram a compreender que a Espiritualidade não "vende" as mensagens e não tem ouvidos para os caprichos humanos.
Ao aceitar minha situação e abrir minha
mente, pude finalmente enxergar quantos são os irmãos realmente necessitados
em comunicar-se, onde o contato entre os dois planos traz benefícios morais
inimagináveis ao progresso de quem dá e de quem recebe.
Assim, deixei de querer, a todo instante, voltar a ver minha família. Arranjei
trabalho. Trabalhei muito, cresci, aprendi a controlar-me. Passei a ser útil e
auxiliar. Cresci ainda mais.
O tempo passou. Minha noiva casou-se, tem filhos, já é avó. Minha mãe desencarnou e eu tive o privilégio de recolhê-la dos umbrais. Infelizmente, até este momento, ela ainda não me reconheceu, presa que está a seus bens mundanos.
A mensagem que elas tanto queriam nunca foi
escrita. A vida, para todos, seguiu seu curso, como deve ser. Ironicamente, esta
é minha primeira comunicação, destinada não a elas, e sim a quem possa
interessar.
Fica aqui a lição, baseada nas palavras do Grande Mestre:
- Reconcilia-te com aqueles a quem ofendeu, enquanto estiverem eles em teu
caminho...
E acima de tudo, se realmente ama aqueles que partiram, ajude-os em seus novos
desafios com sua fé que tudo vai bem, porque Deus é Pai e é quem está no
controle, nos dando a lição na medida exata de nossa capacidade de aprendizado.
Sobretudo, não se perca no capricho de
"precisar" de provas que deveriam estar em seu coração.
Lembre-se que sempre há quem precise mais do que nós. Abençoados que somos
devemos, na medida do possível, nos colocar na situação de consoladores e
não na posição de quem precisa de auxílio.
Muito obrigado.
Antonio.