Cód:

227
07/02/2005
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos

Olá.
Gostaria de nesta oportunidade deixar uma mensagem a todos aqueles que, saudosos, anseiam por comunicar-se com as pessoas amadas que partiram para o Plano Espiritual.
É situação comum as pessoas buscarem provas que seus amados continuam vivos e que estão bem, principalmente quando os que desencarnam deixam o planeta no esplendor de sua juventude. E, independente da idade, o recém-desencarnado quase sempre necessita de tempo para adaptar-se, não aceitando de pronto a nova situação na maioria dos casos, querendo retornar ao antigo lar a todo momento.

Vou, então, narrar o que se passou comigo.
Tinha a idade de vinte e cinco anos, recém-formado em direito. Com emprego arranjado, já ganhava para sustentar-me e sustentar uma pequena família. Minha noiva era linda, nos casaríamos em breve. Amávamo-nos muito.
Numa noite de chuva forte, perdi o controle do meu automóvel e bati fortemente de encontro a uma árvore, vindo a desencarnar imediatamente.
Trazido a uma colônia próxima à minha cidade, fiquei desesperado e não aceitei, sem relutar, minha nova situação. Foi muito dolorido deixar para trás minha vida, minha jovem noiva e meus bens.

("Hoje sei e reconheço que a verdadeira vida é deste lado, no plano astral, mas naquela época comportei-me como a maioria: apeguei-me a vida física e queria a todo custo retornar ao lar, para pelo menos rever meus queridos.")

Minha mãe e minha noiva choraram muito a minha morte. A todo instante eu as ouvia e assimilava seu inconformismo, o que causava-me ansiedade e aumentava ainda mais a minha angústia, retardando o meu processo de adaptação.
Elas, crentes em Deus e típicas seguidoras de práticas cristãs por imposição social, obcecaram-se pela idéia de receber notícias minhas.
Convenceram-se de que "precisavam" saber se eu estava bem e não mediram esforços em busca de seu objetivo. Foram a diversos lugares, lidaram com entidades das mais variadas crenças e linhagens, que por vezes utilizaram métodos perigosos e certamente não recomendáveis para "convocar" meu espírito.
Acabaram por ultrapassar os limites do bom senso, gastaram muito tempo e dinheiro, comprometendo-se de forma irreversível fora do terreno da verdadeira fé cristã.

Do lado de cá eu acabava registrando tudo, vendo tudo, sem nada poder fazer, uma vez que fui desautorizado a transmitir a mensagem que elas "exigiam".
Cansado, acabei convencido por meus bondosos e pacientes mentores e afastei-me. Aprendi a desligar-me das tristes emanações mentais de minha mãe e de minha noiva, que vampirizavam-me e impediam meu crescimento.

Enquanto isto, lá na Terra, elas custaram a compreender que a Espiritualidade não "vende" as mensagens e não tem ouvidos para os caprichos humanos.

Ao aceitar minha situação e abrir minha mente, pude finalmente enxergar quantos são os irmãos realmente necessitados em comunicar-se, onde o contato entre os dois planos traz benefícios morais inimagináveis ao progresso de quem dá e de quem recebe.
Assim, deixei de querer, a todo instante, voltar a ver minha família. Arranjei trabalho. Trabalhei muito, cresci, aprendi a controlar-me. Passei a ser útil e auxiliar. Cresci ainda mais.

O tempo passou. Minha noiva casou-se, tem filhos, já é avó. Minha mãe desencarnou e eu tive o privilégio de recolhê-la dos umbrais. Infelizmente, até este momento, ela ainda não me reconheceu, presa que está a seus bens mundanos.

A mensagem que elas tanto queriam nunca foi escrita. A vida, para todos, seguiu seu curso, como deve ser. Ironicamente, esta é minha primeira comunicação, destinada não a elas, e sim a quem possa interessar.
Fica aqui a lição, baseada nas palavras do Grande Mestre:
- Reconcilia-te com aqueles a quem ofendeu, enquanto estiverem eles em teu caminho...
E acima de tudo, se realmente ama aqueles que partiram, ajude-os em seus novos desafios com sua fé que tudo vai bem, porque Deus é Pai e é quem está no controle, nos dando a lição na medida exata de nossa capacidade de aprendizado.

Sobretudo, não se perca no capricho de "precisar" de provas que deveriam estar em seu coração.
Lembre-se que sempre há quem precise mais do que nós. Abençoados que somos devemos, na medida do possível, nos colocar na situação de consoladores e não na posição de quem precisa de auxílio.

Muito obrigado.

Antonio.

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