Queridos Luiz Gustavo, Kesya, Éder, Denise e
Augusto.
Eis-me aqui. Não foi fácil, mas creio que agora o pior já passou. Posso
sentir as saudades que partem de seus corações e isto me conforta.
Posso sentir também a dúvida, o remorso, o sentimento de culpa.
É por isto que estou aqui esta noite, na esperança que esta mensagem chegue
até vocês.
Quero que saibam que meu retorno já estava marcado. Eu mesmo não aceitei e
não compreendi isto quando aconteceu, mas pelo jeito é assim que deve ser.
Todos nós, naquele feriado, abusamos um pouco, mas era eu quem dirigia e fui eu
quem pisou fundo demais no acelerador.
Graças a Deus os ferimentos que causei à Dê já cicatrizaram.
Este será o segundo Natal que passarei aqui, longe de vocês e da família.
No início era como querer acordar e não conseguir, era como sonhar o tempo
todo com o acidente, ouvindo nossos gritos, sentindo o impacto, vendo tudo
girar.
Depois a sonolência me levava ao desespero da mamãe e me fazia ouvir as
lamentações de vocês.
Quando me deixaram acordar chorei muito. Sentia raiva e tristeza. Não queria
estar aqui tão cedo.
Hoje vou segurando as pontas, diante da minha verdade, da razão pela qual parti
tão cedo.
Preciso trabalhar para encarar esta verdade, num caminho em que, pela primeira
vez preciso seguir sozinho e assumir toda a responsabilidade.
De vocês, peço a compreensão e a oração pelo meu desenvolvimento.
Quero também que sigam em frente e sejam felizes, pois o que aconteceu, como
já disse, foi inevitável pois é parte do que preciso resgatar.
Abraços e beijos.
Ivan Fazzoli Filho