Foi tudo muito rápido e não sei descrever o
que ocorreu em detalhes.
Hoje estou plenamente consciente, mas daqueles dias só guardei fragmentos, que
às vezes vem à tona e ainda causam-me fortes emoções.
Não posso dizer que senti dor propriamente, apesar da aparente agonia do meu
corpo em alguns momentos.
Algumas reações mais violentas, disseram-me aqui meus novos amigos, erma
reflexos do desligamento progressivo entre corpo e espírito, dada a natureza
lenta de minha desencarnação, onde os dois veículos, o físico e o etéreo,
estavam em estado de semi-inconsciência.
Outra eram puramente emotivas, onde o corpo refletia mesmo a emoção que eu
sentia, principalmente ao sentir a proximidade e a preocupação de vocês, que
ficaram ao meu lado até o fim.
Ao ter a noção plena de minha morte, a
primeira reação foi de desespero. Chorei muito e perguntava por que tão cedo,
perguntava o que teria feito para merecer isto.
Mas, aos poucos (acho que foi até rápido) tomei consciência que aqui é um
lugar muito bom e cheio de oportunidades.
Concluí que minha vida não era lá um mar de rosas e que, apesar do carinho
dos amigos (poucos, mas amigos de verdade como vocês!), meus conflitos
existenciais não me permitiriam levar uma vida normal e transparente.
Aqui ainda sou eu, mas a minha verdade não causa escândalo a ninguém. Posso
ser o que sou e ainda cultivar a amizade de vocês, que ficaram por aí na
Terra, e posso ainda estar com vocês quando for possível (só depende de
mim!).
E além de tudo isto tem o meu próprio carma,
que foi no que me fez voltar cedo pra cá (isto é uma coisa que tenho que lidar
e superar sozinho).
O importante agora é que estou feliz e acredito que Deus me ajudou e me
ajudará sempre, pois tenho diante de mim uma nova oportunidade de vida, que
pretendo aproveitar.
Importante também é agradecer a atenção que tiveram com a minha família e a
amizade sincera de vocês, minhas irmãzinhas, que nunca me abandonaram.
Continuamos juntos e estarei sempre por perto,
até o dia em que Deus nos coloque novamente no mesmo caminho.
Obrigado e fiquem com Deus.
Nei.
12/12/04