Esparze os raios de luz que espocam na tua alma,
junto ao solo
dos corações, enquanto medram soberanas sombras e imprecações.
Malgrado estejam feridas tuas mãos pelo cajado das lutas quotidianas, não seja
isto empecilho para o mister da sementeira.
Pelo contrário, permite que as gotas de suor da face cansada e as bagas
sanguinolentas, caindo na terra das almas se transformem na umidade generosa que
desenvolve o embrião a dormir no casulo do amor latente em todos.
Embora os pés assinalados pela presença dos espinhos e da urze, avança na
direção do Infinito, alargando a vereda que se estreita à frente para que os
da retaguarda possam avançar também.
Não fales de cansaço nem arroles decepção. Aqueles que entesouram o amor
podem desdobrar em milhares as moedas da coragem, para continuarem ricos de
entusiasmo.
Multiplicam os haveres na razão em que os doam e quanto mais distribuem mais
possuem, conseguindo o milagre da felicidade onde se encontram.
Passam muitas vezes combatidos pela indolência de uns e perseguidos pela
rebeldia de outros, mas não se detêm.
Utilizando o tempo com propriedade, por reconhecerem que a hora da semeação
passa breve e é necessário aproveitar o momento azado, não se rebelam, nem
recalcitram, insistindo e perseverando com otimismo.
Semeador da luz: não temas a treva nem a discórdia, a precipitação ou a
preguiça.
Muitos se dizem cansados no campo; outros se afirmam desiludidos; vários
desejam renovar emoções caracterizando-se por inusitada saturação; alguns
simplesmente desertaram, e onde medravam as primeiras plântulas a erva daninha
triunfa e a desolação governa...
Prossegue tu, porém, insistentemente, mesmo que te suponhas abandonado, a sós...
***
Há aqueles que semeiam animosidades e deparam idiossincrasias.
Abundam os que espalham a ira e defrontam resíduos de ódios onde chegam.
Na alfândega da vida muitos apresentam disfarçadas as sementes da maledicência
e da infâmia esperando liberação.
O imposto da impertinência, porém, cobra taxas pesadas àqueles que se fazem
fiscais em nome da impiedade.
Por isso, na gleba imensa dos homens surgem e ressurgem tantos afligentes e
afligidos disputando espaço na ribalta da ilusão fisiológica.
Passam disfarçados, enganadores ou enganados, na busca do desencanto. São,
também, semeadores do desconcerto que defrontarão adiante...
Mesmo os cardos se enflorescem, algumas vezes, e as pedras refulgem quando
lapidadas.
Semeia, pois, a luz da esperança, ainda e sempre, desde que se te depare
oportunidade feliz.
***
Um dia, um Homem Sublime abandonou por um pouco um jardim de estrelas para
depositar nas criaturas da Terra gemas de refulgente esperança em torno do Seu
Reino.
Ímpios e caídos, hipócritas e pecadores, nobres e plebeus, gentes simples e
prepotentes receberam Sua dádiva e fizeram que mergulhassem na terra das suas
vidas os raios de Sua luz, transformando-se em sóis de bênçãos que, desde
então, clareiam os destinos da Terra.
E Ele mesmo, quando foi desdenhado numa cruz, fulgurou numa excelente madrugada,
continuando a semear a luz da imortalidade na mente e no coração dos que
jaziam na sombra da saudade e do medo.
"Pondo-vos a caminho, pregai que está próximo o Reino dos Céus".
Mateus: 10-7.
Joanna de Ângelis
in
Florações Evangélicas Divaldo P. Franco - médium
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