Guerra Perdida
Desde aquela cinzenta manhã de março
de 1960 que sinto falta de ar.
Sei que estou respirando e mesmo puxando o ar com todas as forças sinto-me
ofegante.
É como se a corda ainda apertasse o meu pescoço, como se eu não tivesse
conseguido escapar dela. Sinto dor, muita dor!
Dói-me o pescoço, onde a corda apertou, dói-me o corpo, crivado de pedradas e
pauladas.
Desespero-me com meu próprio fedor.
Por que? Por que me perseguem?
Sou fiel a meus superiores e ao ideal da pátria-mãe. Cumpri apenas o meu dever
para com meu povo e vou continuar a cumpri-lo!
Vou lutar até o fim, mesmo abandonado pelo meu exército.
Por todos os lado só vejo rostos desfigurados e mãos ensanguentadas a me
buscarem. Homens, mulheres e crianças a quererem vingança.
Sim, eu os matei. Matei a todos. Eles não podem me tocar. Estão mortos e estão
dentro do meu pesadelo.
Quando acordar vou voltar a combatê-los junto ao meu exército. E matarei a
todos em nome da pátria.
F.H.