Solidão
Ah meu Deus!
A lembrança e a saudade me apertam o coração e me corroem a alma. Vira e mexe
perambulo pelo terreiro e uma tristeza profunda me envolve quando vejo a casinha
abandonada, com as portas e janelas cerradas para sempre.
O vento parece trazer a voz de meu pai tocando o gado e juro poder ouvir minha mãe
tratando do resto da criação.
O balançar das árvores do pomar carregado de frutas me faz ver meus irmãos a
brincar e trepar pelos galhos.
Onde estão todos?
Depois daquele tombo feio que levei do cavalinho Trovão tudo mudou. Ninguém
mais me viu ou ouviu apesar de eu estar ali e querer continuar brincando.
Vi meus pais envelhecerem e partirem, vi meus irmãos abandonarem nossa terra
mas vez em quando volto aqui na esperança de reencontrá-los.
Sinto-me criança e quero brincar. Procuro-os por todo canto e não os acho. Se
estamos todos mortos onde é que eles foram parar?
Por favor me ajudem. Não quero mais ficar sozinho, pois sinto-me muito triste.
Pedro Alvarenga.