Cód:

145
25/09/2003
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Suicidas

Suicidas

Naquela manhã acordei mais cedo. Planejado de longa data, finalmente era chegada a hora de praticar aquilo que vinha estudando e para o qual estava me preparando.
Sentei-me à mesinha de meu quarto e pela janela observei que o sol começava a nascer. Sempre me emocionava ao presenciar a aurora, que daqui do Plano Espiritual tem um visual e um significado ímpares.
Orei, pedindo a Jesus forças e agradecendo a oportunidade.
Como de costume, a resposta foi imediata, através de fachos de luz a me envolver e de pétalas brancas de rosas caindo sobre mim e envolvendo-me com seu perfume e paz.
À hora marcada, Mauro, meu instrutor e amigo, bateu na porta. Eu já estava pronta e num segundo juntei-me ao grupo que iria trabalhar no socorro de irmãos desencarnados.
Demo-nos as mãos e volitamos, deixando para trás nosso plano iluminado, ingressando nos umbrais do planeta.
Fomos descendo ao vale dos suicidas.
A princípio fraquejei. O ar tornava-se mais denso e fétido e a volitação, ao menos para mim, tornava-se praticamente impossível, a ponto de me sentir "puxada" por Mauro.
Sons estridentes de gritos e lamentações cortavam o ar. Contra o negrume do céu via-se ao longe clarões de relâmpagos, que ao luzirem revelavam silhuetas deformadas e sofredoras.
Era claro que nossa presença incomodava a maioria dos que ali cumpriam sua etapa evolutiva. Mauro, principalmente, era fonte de luz a clarear o caminho e, todos nós, de um modo ou outro, emitíamos uma luz não usual para aquele triste local.
Pensei em Jesus, orei, controlei-me.
Mais fortalecida e puxando em minha memória os ensinamentos que havia recebido, encontrei-me em condições de sustentar a elevação do pensamento, fundamental para aquele trabalho.
naquele dia a Graça Divina nos permitiu resgatar quatro irmãos suicidas, que abrandados pelo sofrimento, estavam em condições de compreender nossa mensagem e seguir conosco.
Não pude deixar de notar e de impressionar-me com inúmeras outras almas que ficaram para trás, presas ao próprio filme mental.
Uma ignorância tão profunda a ponto de causar distúrbios gravíssimos em seus perispíritos, mantendo vivas as feridas causadoras da desencarnação.
Muito aprendi e muito agradeci a Deus e a Jesus pela oportunidade de trabalhar e auxiliar.
Eu, que um dia fui resgatada daquele vale de sombras, não podia, até aquele momento, imaginar a extensão da loucura humana. Durante o tempo que me arrastei por lá (séculos?), não via nada além do meu próprio sofrimento, que sempre atribuía a ações alheias.
"Que todos vocês, irmãos, tenham a coragem de permanecer na vida terrena pelo tempo determinado por Deus".
Não há nada que justifique o suicídio, desde que se creia em Deus e em Sua Sabedoria, que nos dá o tempo como remédio para os problemas transitórios da existência física.
Novamente agradeço a Deus pela oportunidade do trabalho e a vocês pela oportunidade desta mensagem.

Ana Cristina

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