Solidão
Naquela manhã não
consegui me levantar.
Faziam muitos anos que vivia só naquela cabana mata adentro, cuidando de mim
mesmo. Eu sabia que estava com algum tipo de doença, mas não sabia qual. Nos
últimos tempos, além da minha idade avançada, eu sentia que o corpo não
funcionava bem.
E, como vivia só, precisava cuidar do plantio e da pesca para alimentar o corpo
e cuidar das preces para alimentar o espírito.
Só que, de alguma forma, eu sabia que naquela manhã seria diferente.
Faltavam-me forças para sair da cama.
Pensei em Deus. Lembrei-me de Jesus. Orei. Agradeci por tudo, recordei-me passo
a passo da minha história.
Um leve formigamento começou na ponta dos meus dedos dos pés e das mãos. Foi
ficando mais forte e foi subindo pelo meu corpo, me fazendo quase estremecer,
arrepiando meus cabelos.
A força pareceu voltar. Levantei-me e fui até a a porta.
Apesar da paisagem de sempre, sentia-me diferente. Sons e vultos iluminados
(outros nem tanto!) despontavam aqui e acolá.
Temi olhar para trás, mas, vencendo o medo, virei-me e, é claro, meu corpo
estava na cama, adormecido para a eternidade.
Que fazer? Quando encontrassem o meu corpo ele já estaria bastante alterado, já
que só esperava visita no próximo mês, para a entrega normal de mantimentos.
Olhei para fora e resolvi explorar o mundo novo. Afinal, nada mais me restava
fazer ali e, mesmo que tivesse alguém para avisar, o que eu podia fazer?
Segui até o rio e lá, para minha surpresa, estava a me esperar a minha amada
esposa, que havia partido a muito, muito tempo.
Corri até ela e o resto é igual à história de todo mundo.
Abraços a todos.
O importante é agradecer pela colheita. Seja ela boa ou ruim, Deus nos dá
sempre o apoio necessário para que aprendamos a cultivar sementes melhores.
Um amigo.