Guerra
Fui militar competente. Comandante eficaz. Cumpri meus deveres a
risca, mesmo significando isto tirar a vida de alguém por fome, excesso de
trabalho ou castigo. Separei famílias e assassinei crianças.
Jamais pensei que nosso exército seria vencido e sempre acreditei que seríamos
os reis deste mundo.
Dirigi com mão de ferro o campo por vários anos até que tropas inimigas me
bateram ao portão.
Fugi desesperado pela floresta gelada com uma multidão enlouquecida a me
perseguir. Cada árvore, todas iguais, pareciam monstros assustadores.
Uma pedra me levou ao chão e uma outra vinda das mão daquela gente me amassou
o crânio me tirando a vida.
Ali fiquei até que meu corpo desaparecesse totalmente comido pelos animais da
floresta e pelos vermes. Senti cada mordida, sofri com meu próprio fedor e com
a dor dilacerante.
Foi como uma noite sem fim, com aquelas árvores se tornando monstros cada vez
mais assustadores.
Quando meu corpo finalmente se dissolveu e meus ossos foram espalhados pela
chuva e pelo vento pude cambaleante, sair dali.
Hoje continuo a fugir pois em cada canto encontro minhas vítimas de outros
tempos que não me perdoam.
Desde aqueles dias luto por manter-me longe da insanidade e por onde passo causo
problemas às pessoas. Serei eu um eterno condenado?
Peço a todos que se compadeçam de mim. Errei muito em minha última passagem
por este mundo.
Naqueles dias eu era o comandante e jamais pensei em usar meu poder para salvar
vidas. Pensei ser invencível e esqueci-me do mais importante, que é o dom da
vida.
Que Deus me perdoe e me ofereça uma chance de reparar meus erros.
Hans Wolfestein.