Cód:

097
20/05/2004
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Face de Jesus

Face de Jesus

Naquele tempo nosso povo vivia na penúria. Pesados impostos tornavam ainda mais escassos os poucos alimentos disponíveis. Roma nos oprimia e nos escravizava em nossa própria terra.
Dois mil anos depois estas lembranças ainda vivem em minha mente. mais vívidas ainda são as lembranças de um dia especial, que tive o privilégio de experimentar.
Eu era adolescente ainda e, como em qualquer época, os adolescentes estão sempre a desafiar e a contestar os mais velhos. Assim também eu era.
E, naquele tempo falavam de um homem que seria o Filho de Deus, que curava e fazia milagres, que ressuscitava os mortos e acalmava as tempestades com a mansidão de sua voz.
Incrédulo, zombava de meus pais e dos outros que falavam sem parar do tal Messias.

Certo dia meu pai acidentou-se, vindo a quebrar a perna. Semanas se passaram e o ferimento agravou-se, deixando meu velho pai febril e à beira da morte.
Desesperada, minha mãe rezava dia e noite, implorando a Deus que poupasse a vida de meu pai.
Foi então que ouvimos um burburinho nas ruas.
Era Jesus, que, com seus discípulos, seguia seu caminho cortando nossa pequena aldeia.
Minha mãe enfrentou a multidão e, atirando-se a Seus pés, pediu pela vida de meu pai.
Jesus interrompeu sua caminhada e adentrou a nossa humilde casa, curando a perna de meu pai com um gesto apenas.
Virou-se para sair e seguir seu caminho, dando de frente comigo, que a tudo olhava perplexo.
Deteve-se por um momento, olhando em meus olhos. Fiquei paralisado por seu magnetismo. Senti uma forte vibração percorrer meu corpo ao mesmo tempo que um turbilhão de emoções explodia em meu coração.
Na candura de Seus olhos, pude vislumbrar a maravilha da Obra de Deus. Compreendi a essência do Amor Divino e Incondicional.
Entendi o significado da Paz Interior.
Sorrindo, Jesus pousou Sua mão em minha cabeça e saiu, perdendo-se na multidão.

Muitas encarnações vieram após este maravilhoso episódio de minha existência. Muitas vezes retornei ao Plano Espiritual, onde a lembrança vívida daquele dia em chamava sempre ao trabalho reparador.
Foi a única vez que vi Jesus e foi o bastante para transformar todas as minhas existências desde então. Mesmo assim, graças a minha natureza humana, não foi o suficiente para que eu deixasse de transgredir Seus ensinamentos de Amor e Luz.
E, a cada retorno à Pátria Espiritual, grande era meu constrangimento. Eu havia sido "tocado pelo Mestre" e não tinha o direito de dizer que "eu não sabia".

E vós, meus caros irmãos espíritas, foram, à sua maneira também "tocados pelo Mestre" quando Ele lhes deu a lucidez de compreender com o coração a doutrina reveladora de Kardec.
A vós também será difícil dizer "eu não sabia".
É chegada a hora e o trabalho edificador vos chama.
Orai e vigiai.
Que Jesus vos abençoe.
Paz e Luz.

Simeão.

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