Cód:

030
19/12/2002
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Destinatário:
Mensagem de amigo IV

Mensagem de amigo IV

Aí galera! Que gripe hein?
Não pensei voltar tão cedo, mas fui chamado pra, sabe com é, tentar servir de intérprete, pois sou jovem (e bonitão!) e acho que posso usar uma linguagem mais acessível. Claro que as idéias não saem da minha cabeça. Já disse outra vez que morrer não deixa a gente mais inteligente. Tá cheio de gente de alto nível por aqui, atendendo a seu pedido.
E eu também, amigo, fico feliz em ser útil pra alguma coisa, principalmente pela chance de te dar um help.
Então vai. daqui pra frente a mensagem é pra você mocinha. Saiba que cheguei aqui por causa de uma balada, daquelas que a gente vai longe demais. Aliás, minha vida era só balada e, numa dessas, voltando pela Índio Tibiriçá, eu e meu brother estávamos pra lá de Bagdá e não vimos um baita ônibus... BUM!!! 24 anos de vida que se acabaram. Meus miolos, que já eram poucos, estourados e por todo lado.
Mas isto não foi o pior. Dureza mesmo foi não ter como fumar ou beber. No começo era de enlouquecer. Aí tive que fazer uma escolha, que acho que foi a mais importante da minha vida (mesmo já estando morto!): "Eu parei!".
Resolvi trabalhar e curar meus vícios. É, garota, daqui também se fuma e se bebe e até se faz sexo. Sexo pesado.
Sabe como? Vampirizando. Exatamente o que estão fazendo com você. Você é mais ou menos como eu era, pensando que sabe tudo, mas no fundo é fraca e tem um cérebro curtinho. Tá na sua cara e você não vê.
Pois bem, seu brother me pediu ajuda. Fui até você e putz! Você é uma gata! Se eu soubesse que ele tinha uma irmã assim ia querer te conhecer antes de bater as botas. Mas sua beleza pára por aí.
Não dá nem pra chegar perto. Tem tanto neguinho escuro e depravado perto de você, que tive que me manter à distância, junto com aqueles que tentam te proteger (e olha que eles já estão de saco cheio!). Esses caras escuros agem como se fossem seus donos, não tiram as mãos de você e ameaçam quem tenta chegar perto. Fumam, bebem e só pensam em transar... e usam você e sua fraqueza pra isso! São seres inferiores que não respeitaram o próprio corpo quando vivos e deu no que deu. Aí procuram trouxas igual eu e você pra se satisfazerem.
Olha, é de virar o estômago o cheiro que vem desses caras e de você, é de dar mesmo vontade de vomitar.
É tudo que tenho pra te dizer. Ninguém pode te ajudar se você não quiser. Mas acorda porque a coisa tá preta!
Só pra ilustrar (aproveita que hoje estou inspirado!) imagina você guiando um carro, com o pezão lá embaixo, numa estrada sem saída, que acaba num muro. Todo mundo que te ajudava de alguma forma já sacou que é fria e pulou fora (menos papai e mamãe, pra variar...). Se você não pisar no freio, tchan-tchan-tchan-tchaaann! Dá de cara no muro e vira fantasma igual eu!
Olha, gata, o freio taí. Só você pode parar. Parar não significa ser careta, é só maneirar nas baladas pra se livrar dos vampiros. Não pense que ser fantasma é coisa do tipo "Ghost" ou "Gasparzinho". Se não ralar por aqui, acaba mal. Vai parar num lugar escuro que é uma fedeção só, e os caras que hoje você não vê vão ficar agarradinhos a você.
Eu já estive lá... um verdadeiro filme do "Jason"! Sabe quem me ajudou? Seu brother e o Ruy. Eles deram um empurrão e mandaram um montão de amigos iluminados pra onde eu estava. Aí, fiz minha parte: pisei no freio.
Deixei o inferno pra trás. Hoje por aqui tem muito jovem e todo sábado tem balada. Música, dança, conversa mole. E trabalho duro de segunda à sexta. Ajudar os outros, tipo agora (pensa que é fácil escrever com a mão de outro cara, ainda mais com gripe?) e estudar feito louco pra ver se aprende alguma coisa.
Bom, se a ficha caiu, boa. Se não, a gente se encontra em breve. Mas eu tô noutra.
Abração a você e ao brother, meu amigão. Curta o Natal com a família. Sinto uma grande falta disso e só quando perdi me dei conta.
Ah! Cê deve tá pensando que sou um ghost careta, mas pode imaginar um monte de palavrão aí no meio da mensagem. Bem que pensei em falar, mas "Eles" não deixam.
Até mais ver.

Rodrigo Fernandez

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