Cód:

019
24/01/2002
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Destinatário:
Pai

Pai.
Não se culpe pelo que se sucedeu. Você fez tudo que estava a seu alcance, mesmo que com suas minguadas posses.
Não se convença que se possuísse riquezas haveria de salvar-me. Não cultive o remorso e muito menos o rancor em seu coração.
Minha vida deixou de existir como deveria ser. A doença me consumiu como deveria ser. Fosse eu menina rica, teria partido no mesmo dia e hora. Num lugar mais luxuoso, talvez, mas teria sofrido os mesmos percalços, as mesmas dores.
Tenha coragem e acredite que tudo o que passei foi muito importante para que eu pudesse aprender e evoluir, e me permitem agora ter calma, lucidez e força para viver esta nova vida.
Aqui não sou doente, não sou deficiente, posso andar, correr, brincar e fazer tudo sozinha.
Posso até estar aqui escrevendo e posso principalmente trabalhar. Como é bom o trabalho!
Pai, estarei sempre por perto, mas não gostaria mais de ver você e a mamãe chorando.
Siga em frente pois você é um homem de quem sempre me orgulhei, um homem bom e honesto.
Vamos seguir juntos, vocês aí e eu aqui, trabalhando para auxiliar nossos irmãos.
Sejam felizes.
Amo muito vocês.

Dalva.

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