Olá.
Estava a caminhar quando vi belíssima luz saindo daqui. Aproximando-me
convidaram-me a entrar e participar, contando o que aconteceu comigo.
Pois bem, a febre me atingiu e me trouxe ainda mais desconforto. Já faziam então
uns dois, quem sabe três dias que estava naquele buraco no meio da mata.
Separei-me do grupo por descuido ou distração, não sei, e caí numa profunda
vala, vindo a fraturar a perna direita.
Com o osso exposto, senti uma dor lancinante que me deixou atordoada por horas.
Quando finalmente minha perna pareceu adormecer gritei por ajuda, mas ninguém
ouviu.
E agora a febre, o delírio, a mente completamente desorganizada. Lembranças e
vozes do meu passado se descortinavam em meus olhos sem seguir uma ordem lógica.
Quantas horas e quantos dias assim? Não sei. Fome e sede eram terríveis.
E assim foi até que ouvi um ruído leve na mata próxima e como um surto de
vento daqueles que parecem um bater de porta, que lá em cima alguém pôs a
cabeça e me chamou pelo nome.
Em segundos aquela figura pulou e estava a meu lado, com um sorriso amistoso me
estendendo a mão.
Usando aquele aperto de mãos como apoio levantei-me e notei que estava me
sentindo um pouco tonta, como se a pressão arterial estivesse baixa e meus
ouvidos zumbiam.
Só então me dei lembrei da perna... A perna!
Como podia estar em pé com o osso para fora? Pois não estava. pelo menos não
com aquele perna.
E assim compreendi, orientada pelo meu novo amigo que meu corpo havia falecido.
Então é isso. Dias depois reconheci o Fábio naquele meu amigo, pois acho que
na hora minha visão ainda estava embaçada.
Estou bem e quero pedir a vocês, papai, mamãe, Ana e tia Ivete que fiquem em
paz. Sei que é difícil compreender que não pertenço mais ao plano físico
sem terem encontrado o meu corpo, mas acreditem, não vale mais a pena.
Em tempo: quando passava frente a esta casa estava em missão de trabalho e os
irmãos daqui me disseram que vocês precisavam muito saber de mim e me
autorizaram a escrever.
Aqui está. Fiquem com Deus e vão em frente.
Estou em Paz e tenho muito trabalho a fazer, que certamente os deixaria
orgulhosos.
Beijos.
Sonia.