Negro já nasceu na senzala. Muita surra Negro tomou, preso no tronco, debaixo da chibata, no terreiro da casa grande. Negro muito se revoltou, quis vingar, matar e fugir. Mas, tinha na senzala, outro Negro; esse sim sabia das coisas. Pai velho sempre tinha uma palavra para acalmar os nossos corações. Ensinava que a revolta não adiantava nada. Falava para nós perdoar e até rezar para o Sinhô e a Sinhá.
Aos poucos, Pai Velho foi modificando a senzala. Os nossos sentimentos de revolta e nossa vontade de vingança foi virando força e fé. Nós passou a trabalhar mais feliz, e nossa alegria nós usava para cantar e dançar pros nossos guias. O tronco e a chibata naquele terreiro foi ficando mais escasso e a cada dia menos negro apanhava. Pai velho ensinou para nós que só o nosso corpo era escravo do Sinhô e da Sinhá, que nossos espíritos era livre e ninguém podia tirar de nós essa liberdade, só nós.
Naquela senzala poucos se perderam e muitos se salvaram. Não da escravidão. Nós foi Negro escravo até nós morrer e depois da morte, aí sim, nós ficou livre, feliz e iluminado. Porque nós soube aturar as dificuldades, tivemos fé e vencemos. Até hoje ainda tem muitos Negro no plano espiritual, revoltado e querendo vingança e nós tá sempre trabalhando para ajudar eles, assim como o Pai Velho ajudou a nós. Por isso nós ainda se comunica nos centro com o nosso sotaque e nosso jeito de falar, e nós tá sempre com vontade e disposição para ajudar e proteger os trabalhadores que transmite nossas palavras.
Que os irmãos tenha fé sempre, porque todo sofrimento conduz à luz e se ele entra na tua caminhada e para te melhorar.
Agora eu peço as bênçãos de luz para esse irmão preto que mudou tanto a nossa vida de resgate. Obrigado pelo ensinamento Pai Velho Marapuã. Que Deus te ilumine.