Há tempos atrás eu retornava ao plano espiritual. Aí (plano físico) renasci, lutei, aprendi, errei, sofri amei e fui amado. Fui como vocês, um espírito reencarnado. Aqui (plano espiritual) fiz planejamentos para esta abençoada oportunidade de aprendizado e evolução. Tive como família espíritos abnegados que me receberam por amor, para me auxiliarem na árdua, mas promissora, jornada.
Abracei a matéria com alegria e esperança, mas falhei. Perdi a batalha para mim mesmo. Nasci em família bem estruturada, fui bem educado e amado. Através dos cuidados de papai e mamãe, cresci bonito e inteligente. Cheguei à juventude como a grande promessa da família. Excelente filho, ótimo aluno, ingressei facilmente em renomada universidade. Mas falhei. Onde se está para estudar e ajudar a tornar o mundo melhor, também há muitas armadilhas.
Hoje eu sei que tenho falido já há algumas vidas. Todas por meio de vícios, dos mais variados: sexo, dinheiro, álcool, jogos e outros mais. Nesta última roupagem, certa noite em festa da faculdade, convidado por outros colegas, eu tive contato com a maconha. Nesta noite era como se eu tivesse encontrado uma velha amiga muito íntima que estava fora e havia retornado. A droga se tornava cada dia mais e mais íntima a mim. Porém desta vez ele não veio só.
Continuei minha faculdade e me formei em uma profissão muito exaltada no mundo. Porém nos intervalos entre as construções de prédios vultuosos a droga estava em minha companhia. A cada dia a ligação era maior e o efeito menor, foi quando conheci outras drogas mais potentes e devastadoras. Agora sim, me tornei pouco a pouco um morto-vivo cruel, rude e imprevisível. Quantas e quantas vezes vi meus pais chorarem por minha culpa. Aos poucos minha relação em família foi se destruindo, as finanças da família foram se deteriorando. Em quantas clínicas estive em recuperação, e saí prometendo uma vida limpa, mas, na primeira oportunidade lá estava eu: na delegacia, no hospital, na sarjeta. Eu nada via, nada sentia, só fazia... Roubava, agredia, me prostituía... Meu corpo definhava a olhos vistos, meus ossos se tornavam cada vez mais proeminentes, olhos fundos e vermelhos, pele sem cor....
Certo fim de semana, após agredir violentamente meu pai, tomei-lhe as chaves do carro e levei a zona da droga, onde o penhorei por drogas, que avidamente, sentado sob um viaduto, usei durante toda a noite. Não sei quanto tempo fiquei sob aquele viaduto, mas sei que ali, enfim morri de overdose.
Suicida! Suicida! Por onde eu passava todos gritavam, mas eu não me dava conta que era eu o desventurado faltoso. Após me reconhecer como morto de fato, passei, junto de um grupo numeroso de espíritos de aspecto amedrontador, a frequentar os lugares dos vivos que se afinavam conosco. Ficávamos de esquina em esquina aguardando novos vivos que inadvertidamente usavam drogas e colávamos a eles como sanguessugas, absorvendo as substancias que ainda nos davam prazer. Com alguns que combinávamos mais, até íamos com eles para suas casas e nos divertíamos com as brigas no lar, os roubos e as desuniões. Tanta escuridão passei e fiz passar, pois quando minha vítima não queria mais se drogar eu insistia sem parar até que ela resolvesse fazer o que eu queria.
O tempo não pára! Certa vez, vi na penumbra um ser iluminado em passagem e desta vez não me escondi e me admirei como ele era bonito e nós éramos feios. Neste dia resolvi ser bonito também. Eu já tinha sido bonito quando era vivo e queria ser bonito de novo agora que estava morto. Na escuridão que for, ao filho arrependido o socorro nunca falta e, quando chegou minha vez, ele veio. Fui socorrido, me tratei, mas ainda estou triste, pois vejo que para ser bonito de novo levarei talvez, algumas vidas e para ser bonito como aquele ser de luz, que iluminou as trevas, levarei talvez, muitas e muitas vidas. Mas, quero ser bonito e vou trabalhar muito para isso. Sei que tenho que cuidar de meu espírito, pois ele que é viciado e enquanto eu não tirar isto dele, não importa em qual matéria, ela refletirá essa viciação.
Acolham meu alerta irmãos. O alto trabalha incessantemente para a nossa felicidade, nós é que nos desviamos do caminho e na grande maioria das vezes, gastamos mais energia para nos desviar do caminho do que para segui-lo reto. Afastem-se de qualquer tipo de droga. Tenham fé. Aos que já estão nos braços da droga, acreditem, o socorro não falta para se libertar, basta aceita-lo. E acreditem: as drogas que escravizam os vivos incautos, também escravizam os mortos viciados.
Que Deus abençoe o planeta. Que o amor reine. Agradeço a meus pais que apesar do desfecho de minha última encarnação, nada tiveram de culpa. Me perdoem. Apesar de tudo que fiz, eu sempre amei vocês.
Giovani
Recebida em 19Fev13 GECEJ.