Cód:

564
10/11/2012
Autor:
Psicografado por: Adriano Arcanjo
NetLuz Psicografias

Dinheiro, fama e poder. Isso me movia quando aí estava encarnada. Ansiava constantemente por me tornar rica e poderosa. Dotada de grande beleza, rapidamente, através de encontros amorosos, me infiltrei e me casei na alta sociedade de uma grande metrópole do Brasil.

Bem casada financeiramente, infeliz no coração, passei a me dedicar aos famosos coquetéis sociais. Festas e mais festas se tornaram os alvos de minha total atenção.

Mimada pelo meu marido, em todos abaixo de mim eu pisava, eu os usava sem escrúpulos. Serviçais eu os humilhava constantemente. Tratava meus cães bem melhor do que as pessoas que me rodeavam. Nem meus três filhos tinham o meu carinho. E como meu marido também era fraco, assim minhas crianças foram crescendo amando e respeitando aos serviçais, temendo a mim e a meu marido, companheiro infiel e infalível das noitadas frívolas e vazias na alta sociedade.

Dinheiro eu já possuía, poder eu demonstrava onde ia. Gastava fortunas em vestidos de grifes famosas e jóias, que de tantas que tinha, algumas eu nunca cheguei a usar.

Faltava-me a fama e para consegui-la de tudo eu fiz, até me entregar a outros homens em troca de uma ou outra foto estampada nas colunas sociais de jornais famosos. Assim me tornei uma influente, talvez a mais influente "madame" daquela cidade. Mas a felicidade não visitava o meu ser. A cada dia eu ficava mais e mais famosa, dava entrevistas onde aparecia. Vivia rodeada de outras mulheres que desejavam o meu lugar. Estava constantemente em batalha íntima comigo mesma e em batalha ostensiva contra todos, que eu acreditava tentarem tomar meu lugar.

Aí a doença bateu em minha porta. Já viúva e velha, porém rica, não tive o apoio de meus filhos, agora já adultos e bem encaminhados na vida, mas que não aprenderam a amar sua mãe, por minha culpa.

O arrependimento começou a visitar meu íntimo, agora que descortinava a mim a futilidade de minha existência. Neste momento finalmente tive a consciência de que eu nada tinha. O dinheiro nada mais valia para mim, além de pagar enfermeiros para cuidarem de mim, os quais nas minhas costas debochavam e me desprezavam. A fama já havia me abandonado e o poder é tão transitório quanto dure a saúde.

Assim foi minha morte, sozinha, triste e arrependida, mal terminou o meu enterro e meus filhos já acionavam advogados para repartir meus bens e minhas jóias. Ah.... minhas jóias.

Passei por um período indeterminado de perturbação, pois ainda estava muito ligada à matéria, aos bens, em especial as jóias, ... minhas jóias.

Fui socorrida, auxiliada e hoje ainda em recuperação, às vezes tenho recaídas por me ver sendo tão bem tratada e por me julgar muito pouco merecedora deste amor. Se quando encarnada não consegui fornecer amor, acredito que agora também não o mereço.

Profundamente encabulada deixo meu conselho:

Não se liguem aos bens materiais, amem seus filhos, esposos e esposas. A felicidade está sempre tão perto que as vezes não a vemos e iremos busca-la longe, causando com esta busca, sofrimentos aos que nos rodeiam. Porém sofrimento maior causamos a nós mesmos. Até hoje eu ainda tenho vergonha de mim, de meu esposo e, acredito, não terei coragem de rever meus filhos quando eles morrerem e tivermos que nos reencontrar.

Obrigada pela oportunidade, vigiem seus passos.

"anônima"

Recebida no GECEJ em 28Ago2012.

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