De súbito uma torrente de
memórias afloraram em minha mente.
Sons, imagens, sensações. Experiências aos milhares, boas, ruins, de toda a
sorte. Dor, frio, alegria, tristeza, fome...
Eu mantinha minha consciência atual, mas ao mesmo tempo era outra pessoa, depois outra, depois mais outra. Pareciam centenas de identidades diferentes, dentro do mesmo ser. Meu corpo parecia expandir-se, crescer sem freio, mas lá estava eu, do mesmo tamanho.
Nascimentos e mortes desfilavam
diante de mim, como que dançando ao meu redor.
Gente, muita gente surgia do nada, passavam por mim e desapareciam, alguns
sussurrando coisas que eu mal podia entender. nem todos eram amigos, mas eu
sabia que todos, porém, tinham representado um papel na minha jornada. Rever
cada um era como reencontrar um objeto valioso e há muito perdido.
Uma sensação de bem estar foi invadindo meu ser até que finalmente abri os olhos.
Sim, tudo o que descrevi se passou desde o exato momento em que fechei os olhos do corpo e que abri os olhos do espírito. Literalmente num piscar de olhos.
E eu estava ali, deitado no mesmo lugar, ainda vestido com meu velho corpo físico.
E, ao abrir os olhos do espírito, lá estava você a me esperar, minha amada esposa que me precedeu nesta nova vida. Assim, pegando em minhas mãos, ajudou a erguer-me e deixar para trás a velha roupagem desgastada pela vida terrena.
Agora em pé, lá seguia eu, a relembrar os lugares maravilhosos do mundo espiritual. Eu, que até então me chamava João, sentia-me agora repleto de alegria, pois somava em meu ser as experiências das outras vidas e tinha novamente a clareza que nosso amor era mais forte que a morte física, pois mais uma vez sobrevivera além túmulo.
Foi assim tão lindo o meu
regresso, o meu novo despertar.
Que Deus abençoe a todos.
João Campos Tenório.