Sempre que desço a Terra para
realizar alguma tarefa designada pela Espiritualidade, me demoro em frente a um
pequeno portão azul, naquela pacata rua da cidadezinha onde nasci.
Dali contemplo o jardim, agora completamente decadente e desarranjado, tomado
pelo mato, invadido pelo abandono. Fecho os olhos e tudo se transforma. Vejo
tudo como estava no dia em que fui chamado a servir deste lado da vida.
Um belo jardim, o pomar, o
balanço onde muito me diverti com meus pequenos amigos.
E, ao abrir novamente os olhos, lá está minha mãe, presa a seus pesadelos,
inconformada com minha desencarnação e presa às construções mentais de quem
tirou a própria vida.
Para ela tudo está como antes, como no dia em que parti, inclusive a imensa dor
que sente por minha "morte". Deixei a Terra muito cedo, aos 13 anos de idade, de
parada cardíaca fulminante.
Minha mãe, tempos depois não conseguindo vencer o desespero e a dor de minha
ausência, tirou a própria vida e permanece por aqui.
Assim, quando dou conta de minhas missões, venho aqui e oro para que ela desperte para a vida espiritual, deixe de lado a velha casa e as velhas lembranças e venha comigo. Mas, tamanha é sua dor que até agora ela não consegue me ver e nem ao menos sentir minha presença.
Depois da oração eu a abraço, a beijo e vou-me embora, certo que Deus está olhando por nós.
Quem sabe se minha próxima
visita será a última e ela estará pronta para me acompanhar?
Assim espero e sigo com fé.
Abraços a todos.
Sidmar.