Cód:

397
14/01/2010
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Netluz Psicografias

Sempre que desço a Terra para realizar alguma tarefa designada pela Espiritualidade, me demoro em frente a um pequeno portão azul, naquela pacata rua da cidadezinha onde nasci.
Dali contemplo o jardim, agora completamente decadente e desarranjado, tomado pelo mato, invadido pelo abandono. Fecho os olhos e tudo se transforma. Vejo tudo como estava no dia em que fui chamado a servir deste lado da vida.

Um belo jardim, o pomar, o balanço onde muito me diverti com meus pequenos amigos.
E, ao abrir novamente os olhos, lá está minha mãe, presa a seus pesadelos, inconformada com minha desencarnação e presa às construções mentais de quem tirou a própria vida.
Para ela tudo está como antes, como no dia em que parti, inclusive a imensa dor que sente por minha "morte". Deixei a Terra muito cedo, aos 13 anos de idade, de parada cardíaca fulminante.
Minha mãe, tempos depois não conseguindo vencer o desespero e a dor de minha ausência, tirou a própria vida e permanece por aqui.

Assim, quando dou conta de minhas missões, venho aqui e oro para que ela desperte para a vida espiritual, deixe de lado a velha casa e as velhas lembranças e venha comigo. Mas, tamanha é sua dor que até agora ela não consegue me ver e nem ao menos sentir minha presença.

Depois da oração eu a abraço, a beijo e vou-me embora, certo que Deus está olhando por nós.

Quem sabe se minha próxima visita será a última e ela estará pronta para me acompanhar?
Assim espero e sigo com fé.

Abraços a todos.

Sidmar.

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