Olá.
Já se foram mais de trinta anos. Eu e minha esposa ainda buscamos por nosso
filho.
Não que o tenhamos perdido, foi ele quem se perdeu de nós. Buscamos, na verdade,
abrir seus olhos à Luz.
Explico-lhes.
Numa tarde de sol, íamos de São Paulo a Santos, descendo a via Anchieta. Eu ia
ao volante e perdi o controle ao ter um pneu estourado. No carro estavam eu,
minha esposa, Odair, meu filho mais velho e meu filho pequeno.
Ribanceira abaixo o carro espatifou-se contra uma pedra. Depois do impacto saí
do carro e ao cruzar o olhar com minha esposa compreendemos imediatamente o que
havia acontecido com todos nós.
Nosso filhinho, então com três anos, veio até nós e nos abraçou, muito seguro de si na nova situação. Mas Odair, que encontrava-se na adolescência, cultivava a revolta e o pessimismo e foi rodeado por seres escuros e hostis. Ele olhou para nós e, por um momento pensei que havia nos visto, mas foi arrastado dali.
Muito tempo se passou até que pudemos encontrá-lo nos umbrais. Nosso filho mais novo, que assumira a aparência de sua existência anterior e revelara-se um amigo de grande Luz, muito nos ajudou conseguindo retirar Odair das zonas inferiores.
Com muito custo o levamos às Colônias de Recuperação mas ele ainda mantinha em seu coração a aquela atitude de raiva e incompreensão.
Foi preciso guiá-lo a um processo reencarnatório e hoje e tentamos ajudá-lo em sua nova existência naquilo que nos é permitido, esperando um dia estarmos novamente reunidos numa mesma família.
Espero que nossa luta possa despertar no coração de todos, principalmente nos jovens, que quase sempre se embrenham em caminhos escuros e de difícil retorno.
Um abraço.
Evair.