Ficou claro para mim que as coisas haviam mudado a partir daquele momento.
Afinal, foi uma queda e tanto, não sei como o carro não explodiu... Fui atirado longe e minha cabeça rodava, mas não sentia dor.
De repente juntou muita gente, pessoas desceram a encosta e se aproximaram do carro e do meu corpo que estava lá dentro.
Observei todo o resgate, segui atentamente os desdobramentos e a notificação à minha família.
Fiquei ao lado de minha mãe, buscando transmitir-lhe serenidade e confiança até o momento final.
Não foi minha culpa, mas estava na hora, disseram-me.
Havia dormido bem antes de viajar, estava bem disposto e alerta.
Perdi o controle do veículo ao desviar de um pequeno animal que invadiu a pista e o carro seguiu reto na curva, indo parar lá embaixo.
O pobre bichinho era, na verdade, um pequeno anjo de Deus a me colocar no caminho de volta para casa, disseram-me também.
Quando meu corpo baixou à sepultura e tudo serenou, lá estavam meus avós e meus tios, contentes em dar-me as boas vindas a um novo mundo.
Abraços a todos.
J.D.