Cód:

239
19/05/2005
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Ref:
Nos campos da Polônia

Ambiente pesadíssimo. 
Horríveis criaturas perambulavam pelo que antes foram parques e casarios da minha querida Polônia. Linda cidade e seus arredores, transformados em ruínas e dominados por invasores.
Estampidos, rajadas de metralhadoras e explosões constantemente eram ouvidos. Nos breves momentos de silêncio das armas, podia-se ouvir os outros sons da guerra: lamúrias, gritos, choro abafado.

Por todos os lados os soldados nazistas e seus cães farejadores, procurando e desentocando meus conterrâneos que, para sobreviver, viviam escondidos como animais.
Numa destas batidas, acabei descoberta, e minha vida não valeu nem mais um minuto. O soldado levantou sua pistola, colocou-a em minha testa e puxou o gatilho, dando-me as costas e executando outros infelizes que comigo se escondiam.

Por causa deste episódio, minha cabeça até hoje ainda dói um pouco e, quando me lembro daquilo, meus ouvidos começam a zumbir fortemente.
Daquele dia em diante, percebi que a guerra era muito mais horrível e violenta do meus cinco sentidos jamais poderiam supor.
Comecei a ver, por todos os lados, criaturas horríveis, farrapos humanos que emanavam um odor terrível. Mas, o pior de tudo, é que podia sentir o ódio no coração de cada um deles, chegando a causar-me náuseas.
Estes infelizes, desencarnados pela guerra como eu, enganchavam-se nos encarnados e seguiam com eles, como se um só fossem.
Alguns encarnados pareciam carregar multidões, tal era o número de criaturas vampirizando-os.

Naquele dia, o dia de minha morte, pude observar alguns dos meus amigos, o sangue ainda a jorrar pelo buraco aberto pela bala, levantarem-se num arroubo de raiva e agarrarem-se a seu assassino, fazendo a mente e o corpo do soldado assimilar toda aquela carga negativa.
Não tive coragem de revidar. Apesar da dor e do medo, apesar de sentir-me atordoada pela morte violenta, pedi forças e orientação a Deus.

Assim, daquele dia em diante, o dia de minha morte, passei a buscar estar criaturas e iniciei um trabalho de convencimento, rogando-lhes a perdoar, pois julguei que seria a única forma de acabar com o conflito. Fui abençoada com a companhia dos trabalhadores do Cristo, que juntaram-se a mim neste trabalho de paciência e Amor, que dura até hoje.

Mais de cinqüenta anos depois, minha querida Polônia renasceu e retomou toda a sua beleza e seu esplendor.
Nós, porém, ainda temos muito trabalho pela frente. Creiam-me, amigos, que nos campos da Polônia existem ainda muitos desencarnados vagando, vivendo uma guerra particular em sua mente e que ainda não são capazes de enxergar que as flores estão de volta e que os canhões silenciaram.
Vivem um pesadelo particular e precisam ser resgatados.

Este é o nosso trabalho. Pedir licença para entrar na guerra de cada um e, pacientemente, com Amor, abrir-lhes o coração para a Verdade.
Pedimos assim a caridade de todos os que possam nos oferecer suas preces, pelos irmãos esquecidos da segunda grande guerra.
Que a velha Polônia possa, enfim, sorrir aliviada, também nos campos do espírito.

Berta.

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