Cód:

229
27/02/2005
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Ref:

Misericórdia!
Por muito tempo estive perdido, vagando por lugares estranhos, onde nada fazia sentido.
Não sabia qual direção tomar, não tinha a mínima idéia de onde deveria ir ou quem poderia me ajudar.
Por todos os lados havia gente de aparência horrível, marcados pelo sofrimento. Todos como eu, a repetir suas lamentações a quem se dispusesse a ouvir, a justificar nossos erros, convencendo-nos que os mesmos forma causados pelas faltas alheias, nunca nossas.
As vezes apareciam aqui e ali algumas pessoas tão bonitas que chegavam a brilhar, mas eu sempre dava de ombros, pois era difícil a aproximação, uma vez que os infelizes os rodeavam e ficavam implorando por ajuda.
Em minhas peregrinações sem destino e sem utilidade - no que vim a saber depois no local chamado umbral - testemunhei cenas hediondas, protagonizadas por farrapos humanos que não souberam conduzir sua última existência física.

Caminhar por lá era como entrar num teatro após o outro, assistindo dramas pessoais que se repetiam sem cessar.
Demorei muito para me dar conta que eu também dava meu próprio espetáculo, a todo instante, preso que estava nos momentos que marcaram a minha desencarnação.

Quando a consciência foi aflorando e o sofrimento começou a abrandar meu espírito, pude, de forma clara, enxergar o meu desafortunado ato, onde nas raias do desespero fútil encerrei minha vida física utilizando uma arma de fogo como instrumento.
Já havia lembrado a cena inúmeras vezes, e em todas elas era como se tudo estivesse acontecendo de novo: o desvario, a culpa da insanidade jogada sobre os ombros de outros, o tiro, a dor lancinante, a loucura do espírito e a falta de Paz.

Mas, desta vez foi diferente. Lembrei-me de tudo, detalhe a detalhe, e compreendi minha falta. Estava conseguindo raciocinar. Senti vontade de pedir perdão a Deus e implorar um novo recomeço.
Então, quando dei por mim, uma daquelas pessoas bonitas estava parada a meu lado, oferecendo-me o recomeço que eu ainda pensava em pedir.

Apesar de minha fraqueza e de ter tirado a própria vida, apesar de ter cometido a mais grave das faltas, a misericórdia de Deus me foi dada antes mesmo que eu a pedisse.
Que Deus dê forças a todos aqueles que julgam ser a morte a solução dos problemas da vida. Que todos compreendam que a vida continua na morte, e o recomeço depende unicamente de cada um, de nossos atos e de nossa moral, independente da nossa condição de encarnados ou desencarnados.

Um amigo.

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