O ÚLTIMO CEITIL
Verão causticante do ano de 64 da Era Cristã.
Roma imperial é o centro do mundo.
Nero é o imperador aclamado pelo povo ignorante.
Um quadro triste de decadência moral se apossara desde muito do espírito das
massas.
O próprio Nero faz-se em exemplo de desregramentos e vícios injustificáveis.
Cercara-se o imperador de nefastos conselheiros, feitos seus áulicos favoritos.
Dentre todos, a figura de Gaius Ophonius Tigellinus destaca-se, influenciando
diretamente o pontífice máximo, exacerbando-lhe as tendências viciosas.
Tigellinus é a própria representação da crueldade humana com os desvios de
sua personalidade tirânica e cruel.
Antes do ano de 62, havia sido o prefeito das brigadas de incêndio, à época
chamada de vigiles.
Ganhando a confiança do imperador, ascendera ao cargo de prefeito da guarda
pretoriana.
Uma época de tenebrosos presságios paira sobre Roma.
O imperador desatento cerca-se de nefandas companhias, dando ouvidos às suas
criminosas sugestões.
Inflam-lhe o ego satisfazendo-lhe a vaidade inconseqüente.
O séquito de mentalidades cruéis em torno do imperador inclui Caius Nymphidius
Sabinus e Faenius Rufus.
Nero passa a acalentar o desejo de reconstrução da cidade imperial.
O projeto grandioso implica em dispêndios absurdos que a responsabilidade
senatorial de forma alguma autorizaria.
Dentre as construções faraônicas nos planos de Nero está a construção de
novo e soberbo palácio à sua magnificência imperial.
O aglomerado humano, contudo, obsta de imediato os propósitos do imperador.
Verão de 64.
O sol causticante está sobre todos.
Sinistra idéia surge aos ouvidos de Nero empolgando-lhe a visão com labaredas
de fogo.
Tigellinus é a mentalidade perversa que traz a infeliz idéia.
Ex-comandante das brigadas de incêndio, sopra aos ouvidos de Nero o tenebroso
plano de incendiar a capital do império.
Sabinus e Rufus participam da obscura empreitada com criminoso desinteresse pelo
bem geral.
Traçadas as principais linhas de ação do sinistro planejamento, Tigellinus
assume o encargo de recrutar uma horda de criminosos comparsas.
Para a consecução da tarefa infame, mais de três centenas de voluntários são
recrutados a peso de ouro.
Alinham-se determinações. Ajustam-se compromissos escusos.
Noite de plenilúnio de 19 de julho de 64, alguns dias antes das calendas de
Agosto.
O Circus Maximus está repleto do populacho alegre. Grande movimento entre
tendas de comércio domina a cena da paisagem festiva.
Enquanto isso, os sequazes de Tigellinus se posicionam em várias partes da
cidade dos césares, notadamente se concentrando no ambiente do Circus.
Irrompem com força as primeiras labaredas destruidoras.
Num átimo, o fogo se espalha descontrolado...
De várias partes surgem novos focos de incêndio consumindo mercadorias e
construções facilmente inflamáveis.
Gritaria... Balburdia... Correria e pânico tomam conta da multidão.
A conflagração das labaredas vem com poder destruidor jamais imaginado pelos
que as planificaram.
O fogo toma conta do Palatino. Dirige-se ao Monte Caelio. Atinge a Suburra.
Consome os Viminales.
Mortos e feridos estão por toda parte.
Crianças indefesas são perdidas no meio da multidão desenfreada e perecem sem
auxílio.
Doentes incapacitados para rápida fuga perecem com inaudito pavor.
Velhinhos que a idade avançada debilitou não conseguem atinar com a velocidade
das providências para a própria salvação.
O fogo consome casebres e mansões, templos e palácios, prédios públicos e
feiras populares.
Chega até a Porta Capena; a Carine; a Orti Luculliani; e a Sallustiani.
Toma conta do Campo de Martius e também da Zona Flamínia. Arrasa o Esquilino.
O cenário é de morte e desolação por quase uma semana de embates infrutíferos
contra as chamas.
Vencido o primeiro incêndio após grandes sacrifícios, eis que as labaredas
ressurgem com potência destruidora renovada na própria propriedade de
Tigellinus em Aemilian.
Depois do sinistro quadro de desolação e morte, Roma está devastada.
Das 14 regiões ou bairros da capital do império, apenas quatro escapam da tragédia.
Três bairros são totalmente transformados em cinzas e sete deles estão
arrasados e em ruínas...
1.940 anos depois... Chegam as calendas de
Agosto do ano de 2004.
O país é outro.
Estamos agora no Paraguai, América do Sul. Sua capital, Assunción, é o cenário
de agora.
A Sabedoria Celeste pacientemente reúne ao longo dos séculos mais de três
centenas de almas devedoras perante a própria consciência e diante da Lei
Divina.
O cenário é quase o mesmo. Ambiente festivo num grande ambiente comercial.
Lojas diversas e compras estão na cabeça de todos.
Sem qualquer aviso irrompe o fogo destruidor.
Labaredas... Fumaças...
O fogo tudo consome em questão de minutos.
Anciãos, criancinhas e jovens perecem no meio do fogo sem possibilidades de
fuga.
Cerca de 380 almas comprometidas com a Lei de Ação e Reação resgatam o
compromisso do passado obscuro, retornando à Vida Verdadeira redimidas do
engano.
Resgatam na face da Terra até o último ceitil de suas dívidas.
E a Bondade Celestial envia-lhes os espíritos benfazejos que generosamente vêm
lhes receber na Vida Maior, oferecendo-lhes o consolo e a benção de Deus.
Irmão Silvino
Mensagem psicografada em reunião pública
no Centro Espírita Luz, Amor e Caridade na noite de
9 de agosto de 2004, por Geraldo Lemos Neto