Cód:

160
27/09/2001
Psicografado por: Cleber P. Campos
Solidão

Solidão

Ah meu Deus!
A lembrança e a saudade me apertam o coração e me corroem a alma. Vira e mexe perambulo pelo terreiro e uma tristeza profunda me envolve quando vejo a casinha abandonada, com as portas e janelas cerradas para sempre.
O vento parece trazer a voz de meu pai tocando o gado e juro poder ouvir minha mãe tratando do resto da criação.
O balançar das árvores do pomar carregado de frutas me faz ver meus irmãos a brincar e trepar pelos galhos.
Onde estão todos?
Depois daquele tombo feio que levei do cavalinho Trovão tudo mudou. Ninguém mais me viu ou ouviu apesar de eu estar ali e querer continuar brincando.
Vi meus pais envelhecerem e partirem, vi meus irmãos abandonarem nossa terra mas vez em quando volto aqui na esperança de reencontrá-los.
Sinto-me criança e quero brincar. Procuro-os por todo canto e não os acho. Se estamos todos mortos onde é que eles foram parar?
Por favor me ajudem. Não quero mais ficar sozinho, pois sinto-me muito triste.

Pedro Alvarenga.

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