Cód:

158
19/07/2001
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
Obsessão

Obsessão

Não pude me conter. Ao reencontrar aquele que me traíra, me roubara tudo o que me era mais caro inclusive a própria vida, me atirei sobre ele
Não pude atingi-lo fisicamente, mas ele imediatamente sentiu-se incomodado. Achou que fosse um mal súbito, algo passageiro. Mas qual. Colei-me a ele e a medida que o tempo passava eu descobria outras formas de atormentá-lo.
Conduzi-o a demência e ele foi jogado num sanatório imundo.
Comprazia-me ver seu sofrimento, até que um dia alguém me pegou pela mão e me trouxe a esta casa.
Casa cheia de irmãos, uns iluminados, outros maltrapilhos como eu próprio. Fizeram-me ver o que se passava comigo e compreendi que aquele a quem eu odiava já não era mais a mesma pessoa. Era, sim, o mesmo de antes, porém com nova roupagem carnal.
Pude então ver o tempo que havia se escoado e que o ódio me alimentara desde então.
Pedi perdão e hoje permaneço ao lado daquele de outros tempos tentando reerguê-lo.
Deus me ajude pois agora sei a dívida que carrego. Peço que orem por mim para que eu possa reparar o mal que causei.

Joaquim
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