Obsessão
Não pude me conter. Ao reencontrar aquele que me traíra, me
roubara tudo o que me era mais caro inclusive a própria vida, me atirei sobre
ele
Não pude atingi-lo fisicamente, mas ele imediatamente sentiu-se incomodado.
Achou que fosse um mal súbito, algo passageiro. Mas qual. Colei-me a ele e a
medida que o tempo passava eu descobria outras formas de atormentá-lo.
Conduzi-o a demência e ele foi jogado num sanatório imundo.
Comprazia-me ver seu sofrimento, até que um dia alguém me pegou pela mão e me
trouxe a esta casa.
Casa cheia de irmãos, uns iluminados, outros maltrapilhos como eu próprio.
Fizeram-me ver o que se passava comigo e compreendi que aquele a quem eu odiava
já não era mais a mesma pessoa. Era, sim, o mesmo de antes, porém com nova
roupagem carnal.
Pude então ver o tempo que havia se escoado e que o ódio me alimentara desde
então.
Pedi perdão e hoje permaneço ao lado daquele de outros tempos tentando reerguê-lo.
Deus me ajude pois agora sei a dívida que carrego. Peço que orem por mim para
que eu possa reparar o mal que causei.
Joaquim.