Cód:

146
02/09/2004
Psicografado por: Cleber P. Campos
Coma

Coma

De repente, tudo fazia sentido. Não, não era um pesadelo!
Aquele vulto iluminado, que sempre me pareceu uma névoa resplandecente e que ficava a um canto do quarto desde o início aos poucos foi entrando em foco, até que pude reconhecer minha mãezinha.
Fiquei fitando-a incrédulo e sem conseguir dizer nada, até que ela aproximou-se e explicou-me tudo.
Meu corpo, no leito hospitalar ainda vivia, como um vegetal. Mas, aproximava-se o fim.
Como já faziam anos que estava naquele estado, meu espírito - eu mesmo! - estava praticamente liberto no derradeiro momento.
Estranhamente, reconheço agora, nada de mal senti durante este tempo todo. Parecia estar naquele estado de sonolência entre o dormir e o acordar, sem saber distinguir exatamente onde.
Às vezes ouvia as vozes de meus familiares, a esposa, os filhos. Jurava poder sentir minha própria respiração e o toque de mãos amigas.
Outras tantas, parecia flutuar por lugares e ver pessoas, velhas conhecidas, embora eu não pudesse reconhecê-las. Ia e vinha sem noção do que se passava exatamente.
A única certeza era a névoa iluminada sempre ali, a um canto do quarto, como a me guardar.
Assim, esclarecido e conformado em deixar temporariamente meus amados na Terra, vi meu corpo falecer. Vi meu enterro e procurei conter-me, ante a comoção de todos.
Entendi que o Plano Espiritual nos chama na hora certa e agradeci a forma com que fui reconduzido à vida astral. Como minha crença em Deus não era lá muito sólida, fui sendo trazido aos poucos, da forma já aqui narrada, o que para mim acabou sendo uma bênção.
Agradeço a Deus por tudo e pela oportunidade de aqui comparecer hoje.
Creio que meu relato pode inspirar os amigos verdadeiros daqueles que passam por tal transição, e suscitar neles a força e a fé necessários para ajudá-los na longa viagem de volta para casa.
Não existem barreiras para quem ama.
Boa noite a todos.

Sebastião Cunha

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