Cód:

140
29/08/2002
Psicografado por: Cleber P. Campos
Desbravador

Desbravador

No horizonte, ao longe, surgiam os primeiros raios da alvorada. A mata, até então silenciosa, enchia-se dos sons alegres dos pássaros.
O sentinela, vencido pelo cansaço, cochilava recostado a uma árvore.
Levantei-me para beber e lavar-me no riacho, enquanto a maioria de meus homens ainda dormiam em volta da fogueira.
Repentinamente a mata agitou-se e dela saíram os selvagens aos gritos, como feras que estavam a nos tocaiar.
Ergui-me num movimento próprio de defesa, mas antes que pudesse carregar meu bacamarte, senti forte dor a queimar meu peito.
Traiçoeira lança me rasgava a carne e meu sangue agora misturava-se às águas límpidas. Estranhamente permaneci em pé, enquanto testemunhava meus homens seguirem o meu próprio destino.
Um a um foram sendo alvejados pelas armas primitivas, um desleal combate corpo a corpo, vencidos pela vil surpresa. Em vão tentei lutar e sem sucesso tentei unir-me a meus homens, que pareciam mais um bando de crianças sem rumo. Pareciam estar completamente sós, alheios à batalha que ali ocorria.
Os olhos semi-cerrados a fitar o infinito, sem expressão. Foram pouco a pouco caminhando até desaparecerem.
Eu permaneci longo tempo ali, até que minha visão ficou mais clara e pude então ver nossos corpos caídos e mutilados por lanças e tacapes.
Compreendi ali que minha existência estava findada. Ao longe pude vislumbrar meu velho pai, que tinha também o meu nome a me buscar.
Assim foi que o segui e subi para as esferas do espírito deixando desbravados muitos caminhos da velha Goyaz. Sou hoje ainda um desbravador, e trabalho muito em favor da família, abrindo os caminhos da Luz de nosso Amado Senhor.

Antonio Pires de Campos.

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