Irmãos Pobres
Queridos irmãos.
Não faz muito tempo que desencarnei e venho aqui para contar um pouco da minha
última experiência na crosta terrestre.
Foi pelas ruas de São Paulo que vivi desde sei lá quantos anos. Acho que já
nasci sem teto, pois sempre lembro-me de mim mesmo a perambular por aí. Mal
consigo visualizar a figura do rosto materno.
Pois bem, o que venho a pedir a todos é que tenham compaixão daqueles
maltrapilhos que por vezes lhe cruza o caminho.
Embora de aparência imunda e com odor desagradável, estes irmãos, em sua
maioria, tem dentro de si dura missão a cumprir. Muitos, resignados, não se
importam com escárnios ou palavras duras, provindas da incompreensão dos mais
abastados.
Mas, por vezes, sofrem humilhações que ferem fundo na alma, que nos ferem como
ferro em brasa.
Oro, pois, a todos os que como eu vivi ainda estão em peregrinação sobre a
Terra. Oro, também, a vós outros que lêem este manuscrito, para que tenham
caridade por estas criaturas.
Um copo d'água, uma palavra amiga, um gesto, simples que seja, significam uma
imensidão ma vida destes infelizes.
E, não se esqueçam que por trás destes seres aparentemente inferiores, por
vezes está nobre alma em sublime missão de Amor e Paz.
Que Jesus ilumine os vossos caminhos.
Fermiano.