Cód:

131
26/07/2001
Autor:
Psicografado por: Cleber P. Campos
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Guerra e Perseverança

Fugíamos assustados no meio da multidão. Os soldados vinham em nosso encalço.
Naquela confusão acabei me separando de meus pais, sendo carregado pela turba espavorida para um outro lado, uma outra rua.
Isto poupou-me a vida naquele momento, pois pude sentir meus pais sendo mortos ao ouvir ao longe as rajadas das metralhadoras.
Por muito tempo depois vivi a me esconder, ora em bando com outras crianças, ora sozinho, em vielas, buracos, esgotos e covis. Alimentava-me de lixo, de ratos, do que pudesse encontrar, sempre com medo de ser pego pelos soldados.
Anos se passaram e a cidade foi ficando cada vez mais difícil, até que o inevitável aconteceu. Eu e meus amigos fomos capturados por uma patrulha.
Ali mesmo fomos colocados lado a lado. Olhei em volta e pude notar as feições de pavor em todos os meninos e meninas semi-desnudos, vestidos em seus trapos e muito magricelas devido aos anos de fome.
Um a um os soldados encostavam suas armas em nossas cabeças e com total frieza puxavam os gatilhos. Eu era o quinto de uma fileira de oito garotos e garotas.
Vi cada um dos quatro terem seus miolos expostos pelo grosso calibre das armas e caírem ao chão como sacos de lixo, ao som das risadas dos soldados.Até que chegou a minha vez. O cano da arma aproximou-se em câmera lenta de minha cabeça e fechei os olhos. Ao som do estampido, que já parecia ecoar ao longe, ouvi um zumbido em minha mente e pude vislumbrar meus pais acenando do outro lado da rua.
Corri até eles enquanto podia ainda sentir meu corpo caindo ao chão e seus estremecimentos finais antes da falência total dos órgãos.
Momentos depois já estava totalmente livre e não sentia mais nada. Abracei meus pais com alegria e agradeci a Deus pela continuidade da vida.
Desde então continuo a peregrinar pelas ruas da Polônia, resgatando almas vítimas da grande guerra. Vocês não imaginam, irmãos, como existem ainda muitos milhares de desencarnados que continuam a fugir de uma batalha que já acabou a mais de 50 anos.
Orem por nós todos. Nós, que estamos unidos em ajudar e esclarecer e eles, irmãos ainda sem discernimento e que acreditam que aquele inferno ainda não acabou.
Juntei-me desde a minha passagem a um grupo socorrista que atua por toda a Europa, principalmente na Polônia, e que ainda tem muito trabalho a fazer.
Grato a todos pela oportunidade do trabalho.
Suas orações serão para nós um alento e um apoio.
Boa noite a todos.

Karol..

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