Mamãe.
No dia de minha partida pude sentir a dor de seu pranto.
Confesso que isto dificultou meu caminho, mas fui de pronto amparada pela vovó
Manuela e pela tia Cida. Elas me abraçaram com carinho e me levaram para a casa
onde elas vivem agora.
Lá chegando, elas já haviam arrumado um quarto só para mim! Muito limpinho,
arejado e com muita luz! Da minha janela posso ver um bonito jardim e uma
pastagem ao longe.
A casa delas fica na última rua da cidade e, como meu quarto fica nos fundos,
posso ver o verde do campo, que por sinal é muito mais lindo por aqui.
Só não estou completamente feliz porque às vezes posso ouvir você chorando.
Nestas horas a vovó me ajuda a rezar e a me acalmar, e tudo volta a ficar bem.
Mamãe, por que você não ora a Deus e pede que Ele lhe mostre um novo caminho?
Estou aqui e não há nada que possamos fazer para mudar tal situação. Melhor
é você entender que foi melhor assim, que o que aconteceu foi melhor para
todos, para que pudéssemos aprender e crescer.
A vovó me disse que se tivermos fé em Deus nós poderemos nos ver de novo,
quando você voltar para cá, do mesmo jeito que eu reencontrei a vovó.
Tenha paciência e fé em Deus.
Siga em frente e ao lembrar de mim agradeça a Deus por eu estar bem.
Todas as noites antes de dormir eu rezo do jeito que você me ensinou, e sempre
peço pro "Papai do Céu" olhar por você e pelo papai.
Um beijo, daquela que te ama.
Hoje e sempre.
Renata Cortez.