Querida Ana Lúcia.
Sei, já faz tempo. Passei dias, meses, talvez anos tentando reencontrar o
caminho de casa.
Perambulei aqui e acolá quando finalmente dobrei uma esquina que me pareceu
familiar. Era a nossa rua! Caminhei apressadamente e parei em frente a nossa
casa, o coração aos pulos de emoção.
Procurei nos bolsos, mas nada da chave! Como poderia entrar? Descontrolei-me, a
vontade de correr até você era enorme. Sem querer, senti meu corpo se mexer e
atravessar as paredes como se fossem feitas de ar.
Foi um susto e tanto! Achei que estava sonhando e rezei para acordar.
Na sala, outro susto! Era a nossa casa, mas móveis, cores, tudo diferente. De
repente vi o Robertinho que saiu da cozinha em direção ao quarto. Onde eu
estive por todo este tempo?
Ele já estava um belo rapagão! Ah, e você, cabelos já grisalhos, mas ainda
uma bela mulher, uma pessoa maravilhosa!
Onde estive não sei dizer, mas agora sei bem onde estou e sempre que puder
estarei próximo a vocês, auxiliando no que for possível!
Com amor,
Carlos Alberto.