Despertei naquela madrugada fria
sentindo-me muito bem.
Devagarinho, levantei-me da cama para não te acordar e fui até a janela, pois
a muito tinha vontade de olhar a cidade. Lá fora os carros passavam velozes e não
havia quase ninguém nas ruas. Fiquei por muito tempo contemplando esta cena.
Ao virar-me para retornar ao leito tive uma estranha surpresa. Você continuava
a dormir, certamente vencida pelo cansaço da vigília, mas eu, ou melhor, meu
corpo jazia no leito.
Tentei tocá-la, mas você não sentiu.
Só então notei que as coisas pareciam diferentes. Tudo que eu olhava parecia
ter agora um aspecto fora do comum. Objetos e coisas emitiam raios trêmulos de
luz de diversas cores e cheiros.
Até você dormindo parecia estar envolta por uma luz azulada e eu podia jurar
que havia uma réplica sua, uma imagem de luz a seu lado.
O resto você já sabe. Ao amanhecer você encontrou meu corpo sem vida sobre a
cama do hospital. Tentei confortá-la mas você não me ouviu.
Quero que saiba que está tudo bem e que sigo meu caminho em paz.
Um abraço.
Alceu.