Senti que não tinha mais jeito.
Sim, lutei o quanto pude, mas naquele momento eu sabia que se fechasse os olhos
não os abriria mais.
Por alguns segundos pensei que aquilo era injusto devido a minha juventude. Mas
já não tinha mais forças para lutar contra os tentáculos do câncer que
tomavam minhas entranhas.
E lá estava eu, olhando para todos vocês, chorosos em frente a meu leito de
hospital naquele doloroso dezembro de 1998.
Mas, ao olhar para o outro canto do quarto via a vovó Ana sorridente me
chamando a segui-la.
E assim fiz.
Parei de lutar, fechei os olhos e fui atrás dela, desaparecendo noite adentro,
deixando atrás de mim o som abafado do choro de todos vocês.
E foi assim, mamãe Isabel, que eu parti para o lado de cá. Estou super bem,
nem me lembro mais da doença que tanto nos fez sofrer.
Só dói um pouquinho a saudade, mas ela só faz manter vivo o meu amor por você.
Bola pra frente mãe. Tinha que ser assim e estou muito feliz.
Um beijo carinhoso em você, na Paula e no Adalberto.
Paulo Henrique.